ARGAMASSA TRADICIONAL

Acabei de chegar do Palácio Centeno, onde fui substituir dois azulejos em muito mau estado de conservação por duas réplicas. Estive a fazer de trolha, o que, de vez em quando me sabe bem: picar rebocos, fazer argamassa, chapar massa na parede. Mas como não sou trolha mesmo a sério, não consigo ter a noção de quanta argamassa precisava e então fiz imensa quantidade. Bom, o que vale é que como é à base de cal aérea e areia lavada, se a cobrir com água, já aqui fica para um próximo trabalho…

URGENTE

Tirei agora do forno as duas réplicas dos azulejos que pintei anteontem para o Palácio Centeno. Não me parecem mal, mas só lá é que vou poder ver como é que ficam integradas… De qualquer modo, vão ter de ir assim mesmo como estão, estamos um bocado a correr contra o tempo, já que se trata de uma intervenção SOS.

QUINTA DE S. VICENTE

Na segunda-feira fui contactada por uma colega de pintura mural para ir ver um trabalho em Telheiras. Trata-se de uma capela particular, na antiga Quinta de S. Vicente, revestida a silhares de azulejos com albarradas e palmitos em azul e branco sobre rodapé duplo a manganês. Os estuques estão em muito mau estado de conservação e os azulejos foram completamente vandalizados, faltando «só» cerca de 270, uma vez que os outros estão bem aderentes à parede, sendo por isso mais difíceis de roubar. A ideia é fazermos um orçamento em conjunto, azulejo e pintura mural, para conservação e restauro de toda a capela. Pela minha parte, o grosso do trabalho será a manufactura de réplicas para colmatarem as lacunas, o qual, com o resto da intervenção, demorará cerca de dois meses e meio a fazer-se. Se o orçamento for aceite, imagino que o trabalho seja para breve. O que me dava um jeitaço!…

PALÁCIO CENTENO

Hoje fui chamada para uma intervenção SOS no Palácio Centeno, em Lisboa, actual Reitoria da Universidade Técnica. Dois dos azulejos dos silhares do átrio de entrada encontram-se praticamente sem vidrado, devido à enorme humidade das paredes, cuja presença de sais já é bastante visível e, mais tarde ou mais cedo, vai acabar por danificar o restante conjunto azulejar. Há dois anos fizemos lá uma intervenção de conservação e restauro dos azulejos, mas pelos vistos os problemas com a alvenaria mantêm-se e assim o trabalho acaba por ser um bocado inglório. A minha missão, agora, é tratar de fazer duas réplicas para substituir esses dois azulejos a tempo do lançamento de um livro no dia 14 deste mês…

TIPOS DE BARRO

Aqui há uns tempos fui contactada por um arquitecto que me descobriu na net e pelos vistos gostou do meu trabalho, no sentido de me encomendar a manufactura de uma série de peças cerâmicas para uma obra que ele tem em mãos. Trata-se de executar o revestimento para um chão e parte das paredes de uma casa-de-banho, segundo um projecto dele próprio, baseado nos azulejos enxaquetados e com variantes quer a nível das dimensões de cada peça, quer a nível da coloração própria de cada tipo de barro. Eu estou interessada, claro; para além de ser uma encomenda de trabalho, parece-me um projecto bem giro para participar. Vou agora fazer umas pequenas amostras com barro vermelho, terracota, barro branco e barro preto, para já ter um ponto de partida para lhe mostrar.

CAPELA DO SENHOR DOS AFLITOS

Em 2002 eu e o Loubet fomos contactados pela delegação do IGESPAR de Évora para irmos fazer um trabalho na Capela do Senhor dos Aflitos, dentro do castelo de Campo Maior. Tratava-se de levantar da parede sete ou oito silhares de azulejos, de origem desconhecida e completamente trocados. Depois do levantamento, trouxemos os azulejos aqui para a oficina, removemos as argamassas dos tardozes, consolidámos falhas de vidrado e colámos fracturas e depois, com grande paciência, organizámos os puzzles, ainda conseguindo formar uma série de desenhos, apesar de terem ficado soltos uma série de azulejos com caras de anjos, concheados e bases de colunas, que não entravam em lado nenhum. O que nos tinha sido proposto, nessa fase, estava terminado e guardámos os azulejos em caixas devidamente identificadas por painéis e motivos soltos.

Entretanto, a pessoa que nos tinha contactado saiu do IGESPAR e na altura de entregar os azulejos, ninguém sabia bem com quem se deveria tratar do assunto e depois foi havendo várias mudanças no IGESPAR e nas Delegações Regionais, pelo que os azulejos aqui foram ficando, encaixotados e bem guardados num cantinho. Até que hoje, finalmente, veio alguém de Évora cá buscá-los. Ao que parece e, se tudo correr bem, porque não há dinheiro para nada e muito menos na cultura, a ideia é montá-los em suporte móvel de acrílico e talvez voltem para a capela de onde saíram. Espero bem que sim; a ver vamos.

FAXINA

Para encerrar de vez com o ano passado e antes de pensar o que é que vou fazer a partir de agora, hoje, para variar, decidi ser uma mulher faxinante: depois de ver que as réplicas que fiz saíram todas bem do forno, encaixotei todos os painéis de azulejos que ainda estavam por aqui estendidos no chão; apanhei todos os papelinhos com marcações que eu tinha feito para me orientar; aspirei o taipal e a bancada de trabalho; varri o chão todo da oficina , incluindo escritório e casa-de-banho; limpei a máquina de corte de azulejos (super-Practyl) e deitei fora toda aquela pequena tralha que não serve para nada, antes que o Loubet a visse. Antes de me ir embora ainda vou lavar o chão, para quando voltar na segunda-feira ganhar inspiração para fazer alguma coisa ao ver isto tudo limpinho.

…VIDA NOVA?

Acabei de pintar as réplicas dos azulejos para a Igreja da Misericórdia, em Tavira! Já estão no forno, neste momento a 170ºC. Se tudo correr bem, entrego-as na próxima segunda-feira. As 60 previstas inicialmente, acabaram por se transformar em 110, não sei o que é que aconteceu, mas melhor para mim, visto que o orçamento foi dado em valores unitários – assim eu receba em breve, mas acredito que sim, até agora a In Situ nunca falhou. E agora sim, ano novo, vida nova; ou seja, sem trabalho! Mas isso, afinal, é a vida do costume… não percebo de onde é que vem este provérbio…

ANO NOVO?

Estou quase, quase a terminar as réplicas para a In Situ. Deixei as mais complicadas para o fim e a coisa não está fácil. Estou a tentar orientar-me por estes azulejos originais, totalmente fragmentados e com grandes lacunas, mas ando aqui um bocado às voltas sem saber bem o que fazer; tento seguir as linhas que muitas vezes não vão dar a lado nenhum e acabo por pintar alguma coisa que pareça fazer sentido, mas pouco convencida. A minha esperança é que isto, depois, integrado no conjunto…

31 DE DEZEMBRO DE 2010

31 de Dezembro de 2010.  Não posso dizer que este ano tenha sido dos mais famosos: três ou quatro trabalhitos pequenos no primeiro trimestre e mais dois ou três agora no final, o que deu mais ou menos uma média de seis meses de trabalho efectivo e outros seis a puxar pela cabeça a ver como é que me arranjava para ir pagando as despesas correntes lá de casa e aqui da oficina também. Mas nem tudo foi mau: a um tal de Jorge Inácio, dono da Mdf-Cr, uma empresa de restauro que não recomendo a ninguém, para quem trabalhei em Março, numa igreja em Cascais e cujo pagamento ainda continuo à espera, devo o facto de ter iniciado a minha produção cerâmica antes de optar por ir trabalhar para o Pingo Doce, já em desespero de causa e fartinha de certo tipo de restauradores, supostamente sérios, que para aí andam. Obrigada, Jorge! E quando puderes paga-me lá o que me deves, caramba; já lá vão nove meses e o dinheiro faz-me falta. Ainda não vivo da cerâmica, claro, mas gosto do processo criativo e tenho tido alguns elogios, o que me deixa sempre um bocado babada. E enfim, tive experiências novas; fui às feiras medievais; criei este blog (que tão bem me faz à sanidade mental durante as muitas horas que trabalho sózinha) e através dele, conheci pessoas novas e até vou entrar num documentário europeu.

Não posso dizer que este ano tenha sido propriamente bom. Mas também não foi mau de todo… Enfim, não foi bom, nem mau; antes pelo contrário.