PAINEL 16

Continuo a fazer as réplicas dos azulejos para a Igreja da Misericórdia, em Tavira. Fiquei de entregá-las todas no dia 3 de Janeiro, mas com Natal, fim-de-ano e férias escolares da minha filha à mistura, já avisei que não vou conseguir. Das dezoito do painel 11, bastante moroso, ficam por fazer ainda sete e do painel 17, que nem sequer cheguei a montar no chão, faltam as sete previstas. De qualquer modo, vou conseguir enviar para baixo quatro painéis concluídos, o que vai permitir à In Situ ter material suficiente para trabalhar durante a próxima semana. E isto quer dizer que tenho de ir enfornar já…

INÉDITO!

Hoje, quando estava a montar no chão o painel 16 para fazer as réplicas necessárias, tive esta surpresa: azulejos verdes e brancos! Tratei de ir logo abrir o documento que a Rita me enviou com as fotografias deste painel na parede e então, é mesmo verdade e inédito, pelo menos para mim; no meio do conjunto azul e branco, existem uns quantos verdes! Nunca tal tinha visto. Não são azulejos originais, claro; apesar de manuais e muito bem feitas, a pasta destas chacotas é bastante diferente e vê-se a olho nu. Agora, quando é que foram feitos e porque é que são a verde e branco, é que não consigo explicar… O Loubet, que entretanto passou por cá de fugida e tratou logo de perguntar «que é isto!?», avançou com a teoria da ética do restauro, ou seja, pode-se e deve-se diferenciar as réplicas dos originais. E ando eu aqui sempre aflita a tentar aproximar os tons o mais possível…

 

3ª FASE

Quando, na semana passada entreguei todas as réplicas à In Situ, pensei que o trabalho estava terminado, uma vez que me tinham dito que eu teria de fazer cerca de sessenta e afinal, com tudo concluído, até foram setenta. Qual não foi o meu espanto, ao entregar tudo devidamente encaixotado por painel, eles me devolvem em troca mais dois caixotes com mais não sei quantos painéis com réplicas ainda para fazer; ao que parece, ainda mais umas trinta. Segundo a Rita, esta é a terceira e última fase, mas a mim ninguém me tinha dito nada, ou então é a minha senilidade que se adensa cada vez mais (o que é bastante possível). Mas tudo bem, claro!, eu quero é trabalhar e como o orçamento foi dado por preços unitários, sempre recebo mais uns €€€ que não estava à espera! É Natal, é Natal…

BÉBÉS

Está a chegar o Natal e mais uma vez a questão dos presentes. Todos os anos é a mesma coisa, tento contornar o assunto e oferecer peças feitas por mim, de modo a minimizar os gastos, que isto não está para grandes despesas. O problema é que a família já está entupida em azulejos, taças e pratinhos em cerâmica, alguns dos quais comprados por eles mesmo para me ajudarem em tempos de maior aflição; de tal maneira que já não sou capaz de lhes dar mais nada deste género e lá tenho de abrir os cordões à bolsa. Este ano apareceram algumas bébés amigas e como ainda não têm nada meu, cá vai disto: um pequeno azulejo com o nome delas para meterem no quarto; ao pé da cama, ou na porta, ou onde os pais delas quiserem, que elas ainda são mínimas para decidirem alguma coisa que seja. E quando chegarem à adolescência logo se vê o que é que lhe fazem…

ENTREGUES!

Estão entregues! Não são iguaizinhos aos originais, mas é o que diz a Inês, a minha colega que mos encomendou: são réplicas! Eu ainda ponderei repeti-los novamente, para tentar aproximar ainda mais as cores, mas pelo sim, pelo não, resolvi mostrá-los primeiro a ela, para ter uma segunda opinião e foi o melhor que fiz, pois ela achou que passavam muito bem; uma coisa é vê-los assim lado a lado, outra coisa é vê-los integrados no conjunto, o que é bem diferente e eu sei disso por experiência própria. Ainda por cima, chacotas desta espessura tão fina e com 14X14 cm não se encontram à venda nas lojas habituais, tive de ser eu a rectificar uma a uma, o que ainda me deu um certo trabalho, pois algumas partiram-se mal lhes meti o disco. Enfim, não fiquei totalmente convencida com os resultados, mas dou este assunto por encerrado; albarda-se o burro à vontade do dono…

NOVA TENTATIVA

Lá pintei novamente estes azulejos para integrarem uma casa-de-banho… Por um lado, agora é mais fácil acertar as cores, tendo por base os primeiros que saíram mal; por outro, agora estou bastante mais insegura no que diz respeito a esta questão. E depois, o facto de estar aqui na oficina a trabalhar sózinha também não ajuda, às vezes falta-me uma segunda opinião e acabo por andar aqui às voltas com perfeccionismos  desnecessários…

AZULEJOS – 1, EU – 0

Fiz estas primeiras experiências de cores para as réplicas destes azulejos de uma casa-de-banho que uma colega me encomendou; tirei-as agora mesmo do forno e já deu para ver que não resultaram: os tons estão demasiado fortes em relação aos originais. Vou ter de repetir. Nesta questão do acerto de cores gosto sempre de pintar azulejos inteiros; apesar de dar mais trabalho, consigo sempre ter uma noção diferente do que se pintar apenas placas de experiências com pequenas amostras de côr. Enfim, o primeiro resultado foi este e, apesar de haver margem quanto às tonalidades, não está bem…

CASA DE FERREIRO…

Como se costuma dizer, em casa de ferreiro, espeto de pau. Tenho este azulejo de fachada lá em minha casa há imenso tempo; tanto, que já nem me lembro como é que ele veio parar às minhas mãos. Gosto muito dele nem sei bem porquê; não é especialmente bonito, mas é feito em pó de pedra, uma técnica caída em desuso, muito comum na extinta Fábrica de Loiça de Sacavém e gosto muito de o ver ali, penduradinho na parede entre outras coisas, poucas, que eu tenho na parede e considero especiais. Há coisa de uns seis meses, ops!, levou sem querer um piparote e estatelou-se no chão de mosaico hidráulico lá da casa-de-banho, que apesar de já ter mais de sessenta anos de existência, não está ainda suficientemente amaciado por quatro gerações de uso. Fiquei chateada com o facto, acho que ainda praguejei qualquer coisa e meti-o bem à vista, a ver se o trazia para aqui para a oficina, ou não faça eu restauro, ainda por cima, de azulejos. Mas para ali foi ficando, até que hoje, finalmente, o trouxe para cá. Quero aproveitar esta semana que estou de folga das réplicas da In Situ, para tratar de pequenas coisas que estão pendentes e nunca mais se resolvem. Como por exemplo, colá-lo.

MANGANÊS

Ando às voltas com estas réplicas de azulejos marmoreados a manganês! Já há muito tempo que cheguei à conclusão que esta é das cores mais chatas de se fazerem: por mais escura que pareça em crú, acaba sempre por aclarar imenso e sair cor-de-rosa! E ainda por cima, a mesma tinta, exactamente a mesma!, varia de fornada para fornada, mesmo que estas sejam iguaizinhas… Provavelmente o defeito será meu, que ainda não atinei com isto. Bom, vou repetir estes azulejos pela segunda vez, os primeiros saíram muito claros do forno e agora optei por juntar  um pouco de óxido de manganês à tinta de alto fogo, vamos ver no que dá. Ufa!… Não ganho só para chacotas…

PARA VARIAR!

E agora, algo completamente diferente… para variar do azul e branco.  Aproveitando a fornada que vou fazer dos azulejos de Tavira, cozo também umas experiências de cor para estas réplicas que uma colega me pediu para fazer. Ao que parece, são uns azulejos feitos especificamente pela Cerâmica Constância para uma casa-de-banho (há gostos para tudo, é o que vale!);  não sei bem o que é que lhes aconteceu, mas estão todos fracturados e mal colados com uma cola de pedra, tudo desnivelado. Ela não os consegue descolar e achou melhor fazerem-se réplicas, até porque os preenchimentos a frio numa casa-de-banho, com humidade e limpezas regulares não haviam de durar muito… Pelos vistos, tenho alguma margem de diferenças de tons, o cliente já está avisado. Olarila!