DE VOLTA À OFICINA!

Cá estou! De volta à oficina, depois de um mês inteirinho sem pensar em cerâmica, nem restauro, nem feiras, nem blogs, nem net! Bom, confesso… pensei um bocadinho em cerâmica; li umas coisas que me interessavam para umas peças futuras, mas despreocupadamente, que é para isso que servem as férias: limpar a cabeça e pôr alguma leitura em dia.

Agora, de volta à oficina e com a cabeça limpa, tenho de recomeçar do zero. Isto aqui está um bocado caótico; tudo desarrumado e eu, que até sou uma rapariga organizadinha, assim não me oriento. Antes de começar a fazer seja o que for, primeiro tenho de arrumar e limpar tudo! Assim uma coisa do género «ano novo, vida nova!». Tenho uma data de peças que me sobraram das feiras e que despejei, literalmente, no meio da sala; depois, caixotes e caixotinhos com fragmentos de azulejos que não há meio de saírem daqui e só ocupam espaço; os moldes aparecem por todo o lado, o suporte da rebarbadora insiste em não sair do caminho, a mesa de trabalho está cheia de tralha variada e o pó!, uf!… esse instalou-se por todo o lado e só vai desaparecer com uma barrela das grandes!

Bom… mãos-à-obra. (Não me apetece nada, mas lá terá de ser!).

FRAGMENTOS

Ando à procura de motivos para pintar nas minhas novas peças. A ideia é que elas fiquem com um ar de que foram arrancadas e esculpidas de pedaços de uma parede onde existiram azulejos. Vou utilizar partes de desenhos que sejam facilmente reconhecíveis como pertencentes à azulejaria do séc. XVIII. O azul e branco ajuda, claro. Livros não faltam aqui na oficina e desenhos já picotados, que usei nas réplicas para intervenções de restauro, também não. E cacaria, nem se fala; temos pilhas de fragmentos que vão ficando de trabalhos e que guardamos religiosamente, nem sei bem para quê.

IGREJA MATRIZ DA LOUSÃ

Hoje fui à Lousã, à Igreja Matriz, para ver dois painéis de azulejos que precisam de restauro. Quem nos contactou foi a Universidade Católica do Porto, o orçamento será deles, mas em princípio seremos nós a fazer o trabalho.

Os painéis têm 2,4m X 3m cada um e foram executados pela Fábrica Aleluia em 1982; recentes, portanto. No entanto, um deles apresenta já bolsas de ar entre a superfície de suporte e os azulejos, estando por isso alguns em risco de destacamento.

Não sei quando começaremos o trabalho, idealmente seria agora, mas provavelmente só em Setembro… Bom, depois penso nisso, agora estou muito cansada depois de ter conduzido 400km quase de uma assentada só…

MANSÃO DE MARVILA

Hoje fui à Mansão de Marvila, mesmo atrás do Largo do Beato, para fazer o remate de uns azulejos. A Mansão era um antigo convento e agora é um lar da terceira idade, pertencente à Fundação D. Pedro IV. Está a precisar de muitas obras, mas é linda! Para quem não souber, é lá que fica a Igreja de Sto. Agostinho…

PEÇAS NOVAS

Ando para aqui às voltas com as minhas peças de cerâmica… A coisa não é fácil, tenho pouca experiência nisto e estou formatada por 20 anos de restauro de azulejos!

Quero ver se participo numa Feira Medieval em Elvas e já falta menos de um mês. Isto se me aceitarem, claro…

Para já, faço experiências.

Ufa!

OH NÃO!

Partiram-se  no forno todos os azulejos que eu pintei! Dois dias de trabalho pró maneta! Eram uma encomenda de réplicas para um trabalho de restauro de uma colega. As chacotas que me foram fornecidas eram de má qualidade e não aguentaram a temperatura. De uma caixa de 35 aproveitaram-se 5! Das quais 3 eram experiências de cor… Nada mau!