Quando, na semana passada entreguei todas as réplicas à In Situ, pensei que o trabalho estava terminado, uma vez que me tinham dito que eu teria de fazer cerca de sessenta e afinal, com tudo concluído, até foram setenta. Qual não foi o meu espanto, ao entregar tudo devidamente encaixotado por painel, eles me devolvem em troca mais dois caixotes com mais não sei quantos painéis com réplicas ainda para fazer; ao que parece, ainda mais umas trinta. Segundo a Rita, esta é a terceira e última fase, mas a mim ninguém me tinha dito nada, ou então é a minha senilidade que se adensa cada vez mais (o que é bastante possível). Mas tudo bem, claro!, eu quero é trabalhar e como o orçamento foi dado por preços unitários, sempre recebo mais uns €€€ que não estava à espera! É Natal, é Natal…
Etiqueta: Cerâmica
(DES)ARRUMAÇÃO
Por mais que eu arrume, volta e meia esta oficina fica um bocado caótica, acho que é o que dá fazer várias coisas ao mesmo tempo. Neste momento, as bancadas de trabalho mais parecem prateleiras de (des)arrumação e isto é não estando cá os meus ricos colegas, se não é que iria ser mesmo bonito. Bom, de qualquer modo, hoje já despacho mais três painéis com réplicas para a In Situ, sempre é espaço que se ganha, mas tenho de dar uma volta a isto antes de recomeçar a fazer as minhas peças em cerâmica, que têm estado paradas e o Natal a passar-me todo ao lado…
CASA AMARELA
Acabei agora mesmo de pintar este pequeno painel toponímico em azulejos que o meu tio me encomendou em Setembro, para colocar na entrada de uma casa, obviamente, com muito amarelo. «Não há pressa nenhuma», foi o que ele me disse e, pegando nestas palavras, deixei o tempo passar, entretida com outras coisas. Aproveitei esta semana de pausa entre ter de acabar o trabalho da Lousã e recomeçar as minhas peças de cerâmica, senão nunca mais o fazia… (E se tudo correr bem, ainda para breve tenho de fazer uma série de réplicas para uma Igreja em Tavira, que convém estarem prontas durante o mês de Novembro.) E agora forno com ele!
INTERNACIONALIZAÇÃO!
Aconteceu-me uma coisa incrível: há duas ou três semanas fui contactada por uma produtora de cinema alemã que me telefonou a perguntar-me se eu estaria interessada em participar num documentário sobre Portugal, que era para passar no Canal Arte e mais qualquer coisa sobre azulejaria e mais não sei quê do fado e fotografar a oficina logo no dia seguinte e mais blá blá, blá blá… Fui completamente apanhada de surpresa e fiquei tão estupefacta que deixei de ouvir. Ainda pensei que fosse alguém a gozar comigo e pedi à pessoa para me mandar um e-mail a explicar tudo de novo desde o princípio. Ao que parece, o realizador descobriu-me pela net lá na Alemanha (isto funciona mesmo!) e gostou bastante do meu blog, de tal modo que a ideia seria introduzir a Azulejaria Portuguesa no documentário através de mim e do meu trabalho… Bom, eu alinhei, claro, sempre espero divertir-me! Amanhã vêm cá filmar-me à oficina, que está caótica, para variar; mas azulejos para restaurar aqui não faltam e, com um bocado de sorte, ainda lhes consigo impingir também as minhas peças de cerâmica! Caramba!… Com esta internacionalização, já me estou a ver com várias oficinas espalhadas pelas Marvilas da principais capitais europeias! Eh, eh, eh!
SOLINHO
A minha cabeça não tem parado, por mais que eu tente. Tenho uns quantos azulejos da Igreja da Lousã para restaurar, mas têm tão pouco carisma que nem me apetece tocar-lhes. Falta-lhes peso, estrutura que se sinta. Tenho andado a pensar nos meus relógios de sol e ainda não descansei enquanto não acabei os moldes dos dois primeiros que fiz, peças maciças. Estou ansiosa por ir comprar barro refractário! Não resisti e modelei mais este pequeno solinho, que ainda não sei para o que é que vai servir, talvez para uma aplicação. Quero fazer mais umas quantas e também novos carimbos, para depois poder trabalhar sobre mostradores simples, ainda na mesma linha das placas em cerâmica relevadas que tenho andado a fazer.
PAUSA
Estou contente. Decidi fazer uma pausa na manufactura das chacotas, antes de ficar maluquinha de todo. Passo muitas horas sózinha aqui na oficina, o que até nem me desagrada, – gosto de trabalhar em silêncio quando estou concentrada. Mas, de vez em quando, trocar umas impressões com alguém; tirar dúvidas sobre o meu trabalho, rir um bom bocado; faz-me bem e eu preciso. Assim e antes que este espaço se torne um diário delirante da minha imaginação, resolvi canalizar a minha criatividade para o bom caminho e parar de fazer sempre a mesma coisa de enfiada. Até porque não há pressa. Se eu fizer dez chacotas por dia, no fim desta semana terei todas as que preciso. E consigo avançar com a cerâmica. Portanto… Estou com ideias para peças novas, mas antes de mais e para que não me esqueça, fiz já mais três placas relevadas para a Série Horto, para concluir o conjunto de sete que eu tinha pensado. Estas são os protótipos, em barro vermelho, para execução de moldes.
Todos os dias arranjo uma desculpa para não ir bater a portas de lojas. Com este pretexto, hoje estive também a actualizar a minha página de cerâmica, que agora já tem também as fotos das peças que eu levei para a Feira Setecentista e às quais chamei Série Fragmentos.
TUDO ARRUMADINHO!
Lá consegui arranjar um armário aqui na oficina para arrumar as minhas peças de cerâmica. Isto é tudo muito giro, mas o mal destas coisas, se não as despachamos para qualquer lado, é que ocupam espaço. E aqui, apesar da oficina ser grande, o espaço está a escassear. Acho que está a chegar a hora de eu ir fazer aquilo que tenho andado a adiar já há algum tempo; ou seja, meter-me nas minhas tamanquinhas e ir bater a algumas portas de lojas que possam estar interessadas nas minhas peças. Pânico! Não tenho jeito nenhum para estas coisas e, pior, sou péssima para o negócio! Por mim continuava eternamente a fazer peças e mais peças e depois elas tratavam de ir à sua vidinha e mandavam-me o dinheiro para casa, tipo emigrantes longe da família…
DE VOLTA À OFICINA!
Cá estou! De volta à oficina, depois de um mês inteirinho sem pensar em cerâmica, nem restauro, nem feiras, nem blogs, nem net! Bom, confesso… pensei um bocadinho em cerâmica; li umas coisas que me interessavam para umas peças futuras, mas despreocupadamente, que é para isso que servem as férias: limpar a cabeça e pôr alguma leitura em dia.
Agora, de volta à oficina e com a cabeça limpa, tenho de recomeçar do zero. Isto aqui está um bocado caótico; tudo desarrumado e eu, que até sou uma rapariga organizadinha, assim não me oriento. Antes de começar a fazer seja o que for, primeiro tenho de arrumar e limpar tudo! Assim uma coisa do género «ano novo, vida nova!». Tenho uma data de peças que me sobraram das feiras e que despejei, literalmente, no meio da sala; depois, caixotes e caixotinhos com fragmentos de azulejos que não há meio de saírem daqui e só ocupam espaço; os moldes aparecem por todo o lado, o suporte da rebarbadora insiste em não sair do caminho, a mesa de trabalho está cheia de tralha variada e o pó!, uf!… esse instalou-se por todo o lado e só vai desaparecer com uma barrela das grandes!
Bom… mãos-à-obra. (Não me apetece nada, mas lá terá de ser!).
LINHA SETECENTISTA
Estas são as primeiras amostras das minhas peças da linha Setecentista. Enfim, dizer «linha» nesta fase talvez seja um pouco exagerado; «segmento de recta», para já, está mais apropriado… Tal como eu receava, duas das taças altas saíram mal e também dois solitários. Vão ter que ficar aqui na oficina, a contribuir para o resto de entulho que cá guardamos, à espera que um dia se faça alguma coisa com ele. Mas apesar de tudo, estou satisfeita. Gosto especialmente das peças com as letras e acho que percebi o que correu mal … Apesar de não estarem perfeitas, levo todas as outras já hoje para a Feira Setecentista de Queluz (a propósito, arranjaram-me uma banca deles!), sempre são cinco pratinhos, quatro solitários e três taças altas. Juntando ao resto das peças que me sobraram das outras feiras, acho que vou ter uma banca compostinha! Agora, mais uma vez, é carregar tudo para o carro e depois descarregar tudo na feira, esperando não destilar com esta caloraça… Lá vou!
OLHOS EM BICO!
Estou com os olhos em bico! Hoje estive a vidrar e a pintar as novas peças. É o ultimo dia que tenho para ainda as enfornar e conseguir levá-las a tempo para a Feira Setecentista de Queluz depois de amanhã. Continuo com medo deste processo, não estou segura com os vidrados e muito menos com o branco, que por várias vezes já me saiu mal. O problema é que em cruas parecem sempre bem e só depois é que se vêem os resultados… E isto de estar a pintar coisinhas morosas à pressa não dá; se bem que pequenos defeitos de fabrico até darem graça às peças e terem também a ver com a época. Mas pronto, já estão terminadas! Umas mais inspiradas do que outras, claro, mas há gostos para tudo… – e é o que me vale!













