Finalmente! É bastante comum, no Inverno, a vista daqui da porta da oficina ter este aspecto, ou seja, não se ver um boi a três palmos de distância! Quando comecei este blog, ía a Primavera já bem adiantada, de modo que ainda não tinha tido oportunidade de registar este momento e, tirando a humidade por todo o lado, confesso que gosto! Supostamente, ali mais abaixo, atrás dos arbustos, fica a linha do combóio e mais abaixo ainda, costuma ver-se perfeitamente o Tejo e a Ponte Vasco da Gama… Assim sendo, volto para dentro rapidamente, acendo todas as luzes e ponho o cachecol para continuar os meus trabalhos de restauro…
(DES)ARRUMAÇÃO
Por mais que eu arrume, volta e meia esta oficina fica um bocado caótica, acho que é o que dá fazer várias coisas ao mesmo tempo. Neste momento, as bancadas de trabalho mais parecem prateleiras de (des)arrumação e isto é não estando cá os meus ricos colegas, se não é que iria ser mesmo bonito. Bom, de qualquer modo, hoje já despacho mais três painéis com réplicas para a In Situ, sempre é espaço que se ganha, mas tenho de dar uma volta a isto antes de recomeçar a fazer as minhas peças em cerâmica, que têm estado paradas e o Natal a passar-me todo ao lado…
AZULEJOS – 1, EU – 0
Fiz estas primeiras experiências de cores para as réplicas destes azulejos de uma casa-de-banho que uma colega me encomendou; tirei-as agora mesmo do forno e já deu para ver que não resultaram: os tons estão demasiado fortes em relação aos originais. Vou ter de repetir. Nesta questão do acerto de cores gosto sempre de pintar azulejos inteiros; apesar de dar mais trabalho, consigo sempre ter uma noção diferente do que se pintar apenas placas de experiências com pequenas amostras de côr. Enfim, o primeiro resultado foi este e, apesar de haver margem quanto às tonalidades, não está bem…
ASSUNTOS PENDENTES
Mais uma coisinha pendente já há algum tempo aqui na oficina: um candeeiro de pé alto, todo em faiança, de umas pessoas amigas. Pelo que sei, levou um forte encontrão de uma criança brincalhona e caiu para o lado, partindo-se em vários pedaços. Como pesa bastante e tem um eixo interior em ferro, que agora está um bocado torto, a minha primeira impressão foi que, sózinha, não o conseguiria colar. No entanto, aqui há uns tempos e, com a ajuda do Loubet, lá conseguimos montar umas peças nas outras, um a agarrar por cima e o outro a agarrar por baixo. O mais difícil ficou feito e entretanto nunca mais lhe mexi. Vou aproveitar o balanço de tratar de assuntos pendentes e ver se de uma vez por todas o acabo de restaurar e o despacho de volta para a casinha dele ainda antes do ano novo…
CASA DE FERREIRO…
Como se costuma dizer, em casa de ferreiro, espeto de pau. Tenho este azulejo de fachada lá em minha casa há imenso tempo; tanto, que já nem me lembro como é que ele veio parar às minhas mãos. Gosto muito dele nem sei bem porquê; não é especialmente bonito, mas é feito em pó de pedra, uma técnica caída em desuso, muito comum na extinta Fábrica de Loiça de Sacavém e gosto muito de o ver ali, penduradinho na parede entre outras coisas, poucas, que eu tenho na parede e considero especiais. Há coisa de uns seis meses, ops!, levou sem querer um piparote e estatelou-se no chão de mosaico hidráulico lá da casa-de-banho, que apesar de já ter mais de sessenta anos de existência, não está ainda suficientemente amaciado por quatro gerações de uso. Fiquei chateada com o facto, acho que ainda praguejei qualquer coisa e meti-o bem à vista, a ver se o trazia para aqui para a oficina, ou não faça eu restauro, ainda por cima, de azulejos. Mas para ali foi ficando, até que hoje, finalmente, o trouxe para cá. Quero aproveitar esta semana que estou de folga das réplicas da In Situ, para tratar de pequenas coisas que estão pendentes e nunca mais se resolvem. Como por exemplo, colá-lo.
ARCO-ÍRIS
Para além de outras, uma das vantagens desta oficina é a vista, que muitas vezes me ajuda a arejar as ideias. Anteontem, ao sair daqui, tive a agradável surpresa de descobrir que, se existir mesmo um pote de ouro na ponta do arco-íris, já sei que ele se encontra algures no meio do Tejo, ali no mar da palha. Estou seriamente a pensar em comprar um fato de mergulho e, nos dias sem trabalho, que prevejo virem a ser muitos no próximo ano, posso sempre dar um mergulhinho e procurar por ele, que bem falta me faz… Nunca se sabe, mas se o encontrar, provavelmente não terei de passar nenhum recibo verde, espero que venha todinho só para mim, livre de taxas e de impostos. E não digo nada a ninguém!
MANGANÊS
Ando às voltas com estas réplicas de azulejos marmoreados a manganês! Já há muito tempo que cheguei à conclusão que esta é das cores mais chatas de se fazerem: por mais escura que pareça em crú, acaba sempre por aclarar imenso e sair cor-de-rosa! E ainda por cima, a mesma tinta, exactamente a mesma!, varia de fornada para fornada, mesmo que estas sejam iguaizinhas… Provavelmente o defeito será meu, que ainda não atinei com isto. Bom, vou repetir estes azulejos pela segunda vez, os primeiros saíram muito claros do forno e agora optei por juntar um pouco de óxido de manganês à tinta de alto fogo, vamos ver no que dá. Ufa!… Não ganho só para chacotas…
PARA VARIAR!
E agora, algo completamente diferente… para variar do azul e branco. Aproveitando a fornada que vou fazer dos azulejos de Tavira, cozo também umas experiências de cor para estas réplicas que uma colega me pediu para fazer. Ao que parece, são uns azulejos feitos especificamente pela Cerâmica Constância para uma casa-de-banho (há gostos para tudo, é o que vale!); não sei bem o que é que lhes aconteceu, mas estão todos fracturados e mal colados com uma cola de pedra, tudo desnivelado. Ela não os consegue descolar e achou melhor fazerem-se réplicas, até porque os preenchimentos a frio numa casa-de-banho, com humidade e limpezas regulares não haviam de durar muito… Pelos vistos, tenho alguma margem de diferenças de tons, o cliente já está avisado. Olarila!
GELADA…
Preparo-me para continuar a pintar réplicas para os painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, desta vez cerca de mais trinta. Hoje de manhã fui tentar trocar as chacotas de 15×15 cm que vieram por engano, em vez das de 14×14 cm, mas não havia! Disseram-me que talvez amanhã já as tenham, o que eu espero bem, para não me atrasar aqui com o trabalho… De qualquer forma, fui procurar bem aqui na oficina e lá descobri uma caixa com umas vinte, com a mesma espessura, o que já dá para avançar qualquer coisa. Estive agora a vidrá-las e, para além do nariz e dos pés, fiquei também com as mãos geladas! Isto promete…









