Acabei de vidrar as minhas placas de cerâmica relevadas da colecção «Pólen». Demorou mais do que imaginava, é um trabalho moroso e delicado que não dá para fazer à pressa e eu gosto de ser perfeitinha a trabalhar (olhó restauro…). Acabei de enforná-las, mais uma série de tacinhas pequenas, coloridas. Espero esta semana conseguir levar tudo à Original, o bom tempo vem aí e os turistas também. Lá na loja disseram-me que as cores chamam pessoas lá para dentro; eu cá não sei, não tenho experiência nenhuma, mas querem colorido? Então cá vai!
Categoria: CERÂMICA
INTERROGAÇÕES
Depois de um percalço com a fornada no forno grande, consegui finalmente abrir hoje o forno pequeno para ver como correram as experiências de vidrado. Não há nenhuma que eu possa aproveitar à partida, mas fiquei satisfeita; aproveitei quatro ou cinco como base para novas experiências e agora é só saber interpretar resultados; estará o vidro fino, ou ferveu com tanta temperatura? Será que o forno arrefeceu muito bruscamente antes dos 800ºC? Juntando óxido de zinco fica mais branco, não?… Ou precisará de mais fundente? Mas afinal onde é que aqui entra o bórax? E com a curva de cozedura, como é que é? E o raio da balança, que não consegue pesar só três gramas!… Já me rodeei de leitura para trabalho de casa; mas quanto mais leio, mais me interrogo. E pronto. Boa sorte para mim.
INEVITÁVEL
Estou a acabar os protótipos das minhas duas placas relevadas novas, para a série «É o mar que nos chama», baseadas em azulejos de figuras-avulso. Por mais que eu queira, é inevitável; a minha criatividade está demasiado formatada por 20 anos de azulejaria e às vezes libertar-me não é fácil – já ter feito algumas peças tridimensionais foi um princípio. Mas confesso que gosto de revestimentos murais, placas cerâmicas, de preferência de grandes dimensões e grossas, pesadas e a azulejaria tradicional portuguesa ainda continua a ser das poucas coisas que nos define como entidade, portanto, só tenho é de aproveitar toda a sua riqueza para a recriar e dar-lhe continuidade.
PRODUTIVIDADE
Estou muito satisfeita, esta semana rendeu bem! Fiz e entreguei o orçamento da Quinta de S. Vicente; pintei as réplicas e fui assentá-las no Palácio Centeno, dentro do prazo S.O.S. que me pediram; enchacotei uma série de peças novas e tenho mais uma data delas preparadas para cozerem já hoje, a alta temperatura, juntamente com experiências de vidrado novas. Para além de já ter amostras de barros de diferentes tons e imensos picotados que recolhi na nossa pasta de desenhos para réplicas que foram sendo feitas ao longo destes anos todos de restauro e que tenciono usar nas peças para as séries «Fragmentos». Para compôr ainda mais o ramalhete, ontem, acabada de sair daqui da oficina, tive uma ideia brilhante na qual comecei a trabalhar logo hoje de manhã, visto que se trata de uma das coisas que mais gosto de fazer: modelar em barro. Eheh! Desta vez dois baixos-relevos baseados nos azulejos de figura-avulsa do séc. XVIII e que vão direitinhos para a série «É o mar que nos chama».
950º – 1300ºC
Preparo-me para fazer receitas de vidrados, para experiências. Como isto da cerâmica tem pano para mangas e é um percurso moroso e paciente, só agora há pouco tempo é que me caiu a ficha. Passo a explicar o problema: Se eu cozer o barro refractário à temperatura dos vidrados – 1020ºC-, não fica com o tom que eu quero e, os vidrados fervem se eu os cozer à temperatura do barro -1250ºC ou mais. Portanto,… tenho aqui um problema de incompatibilidades. Que tenciono começar a resolver; vou fazer experiências, com vidrados de alta temperatura, mais óxidos e corantes e tintas, sobre peças chacotadas a baixa temperatura, muito mais porosas e receptivas à calda de vidrado. E assim, no final, coze tudo à mesma temperatura. Tudo o que eu sei destes vidrados é teoria e sei que a obtenção de cores é mais limitada. Mas como tenho bastantes placas de experiências, é dar largas à imaginação e vai já tudo hoje direitinho para o forno. E com os resultados começo a aprender alguma coisa.
PLACAS DE EXPERIÊNCIAS
É sempre assim: há temporadas que ando para aqui a pensar o que é que hei-de fazer e os dias vão-se passando até que eu finalmente consigo encarrilar com algum processo produtivo. Quando isto acontece e eu meto a mão na massa, aparecem sempre inúmeras coisas para tratar, que me interrompem o trabalho e parece que não tenho tempo para nada. Retomei a minha produção cerâmica e quero fazer umas experiências com vidrados de alta temperatura, que nunca experimentei. Desta vez, para variar, fiz uma série de placas de experiências, com o barro refractário que costumo usar, para fazer receitas de vidrados. Normalmente experimento coisas novas logo com peças modeladas, sempre a pensar que se não correrem bem, «não há problema, é só uma experiência…», mas a verdade é que se correrem mal, fico sempre um pouco desapontada, pois uma peça cria sempre mais alguma expectativa do que uma mera placa de experiência. Para além de que poupo tempo. E material.
URGENTE
Tirei agora do forno as duas réplicas dos azulejos que pintei anteontem para o Palácio Centeno. Não me parecem mal, mas só lá é que vou poder ver como é que ficam integradas… De qualquer modo, vão ter de ir assim mesmo como estão, estamos um bocado a correr contra o tempo, já que se trata de uma intervenção SOS.
MOLDES
Decidi retomar a minha produção cerâmica que já estava parada há algum tempo. Estou a fazer mais placas relevadas, agora com a colecção completa das sete da Série Horto e as do costume que tenho à venda no Mosteiro dos Jerónimos. E ainda mais taças novas, da Série Fragmentos, que já tinha feito à laia de experiência e à pressa para ir à Feira Setecentista de Queluz em Julho do ano passado, mas agora com o barro refractário que eu costumo usar. Quero ainda modelar mais três novas placas relevadas, para uma nova série que tenho em vista, mas tudo a seu tempo; primeiro tenho de pôr estas todas novamente a mexer…
8 Kg
Já está reciclado! Depois de suar as estupinhas, o que não é mau tendo em conta que é inverno, consegui recuperar um bom bocado de barro branco que já me vai permitir fazer umas experiências de umas peças em faiança que ando para aqui a pensar. Não está perfeito, perfeito, mas atendendo a que não tenho nenhuma fieira, fiz o que os meu quarenta e oito quilinhos de gente permitiram amassar. Vou ter de ter cuidado com algumas bolhas de ar, mas isso é o básico que qualquer ceramista amador sabe. E ao preço a que está o barro branco, ainda consegui poupar 3,5€! Que grande pelintrice, bem sei; mas já ando nesta fase… Parecendo que não, esse dinheiro já me paga uma sopa e uma sandes de queijo no café aqui ao lado. E ainda sobra para o cafézinho.
Bleah!
TIPOS DE BARRO
Aqui há uns tempos fui contactada por um arquitecto que me descobriu na net e pelos vistos gostou do meu trabalho, no sentido de me encomendar a manufactura de uma série de peças cerâmicas para uma obra que ele tem em mãos. Trata-se de executar o revestimento para um chão e parte das paredes de uma casa-de-banho, segundo um projecto dele próprio, baseado nos azulejos enxaquetados e com variantes quer a nível das dimensões de cada peça, quer a nível da coloração própria de cada tipo de barro. Eu estou interessada, claro; para além de ser uma encomenda de trabalho, parece-me um projecto bem giro para participar. Vou agora fazer umas pequenas amostras com barro vermelho, terracota, barro branco e barro preto, para já ter um ponto de partida para lhe mostrar.










