MÃOS NA MASSA

Hoje lá resolvi meter as mãos na massa, ou melhor, na lama. Com o frio que está aqui na oficina, foi precisa alguma coragem para fazê-lo e nem as luvas de borracha me ajudaram; aquilo estava gelado e doeram-me os ossos do braço inteiro, mas lá consegui ir amassando o melhor que pude, o que, pelo menos, sempre deu para aquecer um bocado. Não sei bem se a coisa está a resultar, ao fim de quatro dias dentro de água, pensei que os pedaços de barro seco já estivessem totalmente desfeitos, mas enganei-me e ainda encontrei bastantes grumos, o que não me parece bom sinal… Segundo o meu colega Ivo, o melhor é deixar ficar mais um tempo e depois tornar a amassar. Vou experimentar, a ver no que dá… (o que eu não daria para ter uma fieira! Mas pela maneira como estão as coisas, ainda vou ter muito que penar…)

RECICLAGEM

Ando a puxar pela cabeça para ver como é que hei-de ganhar alguns €€€. De há uns dias para cá tenho andado a pensar numas peças novas em cerâmica, pequenas, totalmente diferentes do que tenho feito até agora. Ainda nada de concreto, só ideias que têm andado aqui a deambular pela minha cabeça e que quero pôr em prática, pelo menos experimentar. Como já não tenho dinheiro para investir em mais material, muito menos para experiências, resolvi reciclar uma série de barro branco que estava parado há anos ali no contentor da reciclagem de barro branco. Parti tudo em pedaços pequenos e juntei água até cobrir e agora vou ter de esperar até que amoleça de novo. E depois é ter bracinhos para amassar aquilo tudo…

BARRO REFRACTÁRIO

A semana passada fui comprar barro. Como sou organizadinha, tinha de parte algum dinheiro que me ficou da última feira que fiz, em Julho do ano passado, já a pensar em investi-lo na compra de mais material cerâmico. Não deu para muito; o IVA aumentou entretanto, mas ainda assim consegui comprar oito pacotes, sempre são 100Kg de barro refractário que já dão para qualquer coisa. Vou voltar à minha produção cerâmica, quero fazer mais peças das que já tinha feito e tenho umas ideias novas. E a ver se, de uma vez por todas, me meto nas minhas tamanquinhas e vou bater a umas portas de lojas que tenho em vista…

CHAMINÉ

Ontem fiz uma fornada de alta temperatura para uma colega que me pediu para cá vir cozer uma série de peças de porcelana. Como aqui na oficina temos um contador de electricidade bi-horário, programei o forno para arrancar às 22h, mas como a fornada que ela pretendia demorava cerca de dez horas até chegar aos 1250ºC, esta manhã, quando cheguei, por volta das nove e meia, já ele estava em fase de arrefecimento, mas ainda a 1225ºC. Abri a chaminé e por uns momentos deixei-me ficar ali por perto, a aproveitar o quentinho enquanto pensava o que é que poderia fazer hoje.

BÉBÉS

Está a chegar o Natal e mais uma vez a questão dos presentes. Todos os anos é a mesma coisa, tento contornar o assunto e oferecer peças feitas por mim, de modo a minimizar os gastos, que isto não está para grandes despesas. O problema é que a família já está entupida em azulejos, taças e pratinhos em cerâmica, alguns dos quais comprados por eles mesmo para me ajudarem em tempos de maior aflição; de tal maneira que já não sou capaz de lhes dar mais nada deste género e lá tenho de abrir os cordões à bolsa. Este ano apareceram algumas bébés amigas e como ainda não têm nada meu, cá vai disto: um pequeno azulejo com o nome delas para meterem no quarto; ao pé da cama, ou na porta, ou onde os pais delas quiserem, que elas ainda são mínimas para decidirem alguma coisa que seja. E quando chegarem à adolescência logo se vê o que é que lhe fazem…

CASA AMARELA

Acabei agora mesmo de pintar este pequeno painel toponímico em azulejos que o meu tio me encomendou em Setembro, para colocar na entrada de uma casa, obviamente, com muito amarelo. «Não há pressa nenhuma», foi o que ele me disse e, pegando nestas palavras, deixei o tempo passar, entretida com outras coisas. Aproveitei esta semana de pausa entre ter de acabar o trabalho da Lousã e recomeçar as minhas peças de cerâmica, senão nunca mais o fazia… (E se tudo correr bem, ainda para breve tenho de fazer uma série de réplicas para uma Igreja em Tavira, que convém estarem prontas durante o mês de Novembro.) E agora forno com ele!

BÚSSOLA

Comprei esta bússola aqui há duas semanas, estou muito contente. É linda! Segundo as instruções e o meu pai, até dá para medir azimutes, o que, pelo que percebi (não percebi nada!), são direcções horizontais medidas em graus. Como não andei nos escuteiros quando era miúda, nem pertenço à Federação Portuguesa de Orientação, só sei fazer o básico com ela, ou seja, colocá-la o mais na horizontal possível e ver para onde é que aponta o Norte Magnético, esperando que não haja linhas de alta tensão, fios telefónicos ou mesmo tachos de metal por perto, para não me baralhar o sentido dos pontos cardeais. A partir daqui é fácil saber onde está o Norte Geográfico e consequentemente, o Sul, o Este e o Oeste. E isto para quê? A pensar nos meus Relógios de Sol, claro! Ainda não tenho nenhum pronto, mas nunca se sabe se terei de ir montar algum e convém direccioná-lo a Sul, para que o relógio apanhe sol o maior número de horas possível.

Já agora e, aproveitando este objecto, espero também conseguir orientar de vez a minha vida…

SOLINHO

A minha cabeça não tem parado, por mais que eu tente. Tenho uns quantos azulejos da Igreja da Lousã para restaurar, mas têm tão pouco carisma que nem me apetece tocar-lhes. Falta-lhes peso, estrutura que se sinta. Tenho andado a pensar nos meus relógios de sol e ainda não descansei enquanto não acabei os moldes dos dois primeiros que fiz, peças maciças. Estou ansiosa por ir comprar barro refractário! Não resisti e modelei mais este pequeno solinho, que ainda não sei para o que é que vai servir, talvez para uma aplicação. Quero fazer mais umas quantas e também novos carimbos, para depois poder trabalhar sobre mostradores simples, ainda na mesma linha das placas em cerâmica relevadas que tenho andado a fazer.

VIVENDAS E JARDINS!

Estou a fazer um segundo Relógio de Sol, este mais pequeno do que o primeiro. É um mostrador simples, que depois poderei completar com elementos variados, carimbos e relevos. A minha ideia, para já, é ainda fazer mais um, talvez mais clássico e ficar com um conjunto de três para ir tentar vender nalguns hortos. Sintra será um bom local e Sesimbra também. E claro, Lisboa. E Cascais, lembrei-me agora. Têm de ser lugares numa zona de vivendas com jardim e quanto maiores as vivendas e os jardins, melhor. Estou satisfeita com o meu trabalho, há quatro meses que não páro de produzir e continuo cheia de força e ideias.

Amanhã vamos para a Lousã, eu e o Loubet, começar o trabalho de restauro dos azulejos da Igreja Matriz. Vou ter de interromper a cerâmica por agora, mas preciso urgentemente que me entrem uns €€€ na conta. Lá se vai a criatividade por uns tempos, mas segundo me conheço, vou estar sempre a pensar nisto. E vendo bem, talvez até seja bom criar um certo afastamento daqui da oficina.

RELÓGIO SOLAR

Estou muito contente: acabei hoje de modelar o protótipo do meu primeiro Relógio de Sol! E com algum rigor, as posições das horas estão alinhadas de acordo com as coordenadas geográficas de Lisboa! Estou cheia de ideias novas para mais uns quantos, isto é giro! Gosto bastante de fazer este tipo de peças, que assentam sobre uma base  geométrica e, foi preciso ter feito este primeiro com quase todas as linhas estruturais de construção do mostrador, para assimilar toda a informação e possivelmente começar a simplificar. Tudo se resume a quadrados, rectângulos e circunferências e depois é só jogar com todas as hipóteses. Ainda falta o gnómon, claro, correctamente alinhado com a latitude. Depois de pronto, é só colocar numa parede virada a sul.